Setúbalmais, 19-09-2019

O ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou que o Governo vai avançar com um incentivo à inovação, com uma majoração de 10% face aos apoios existentes, dirigido às pequenas e médias e micro empresas da península de Setúbal.

“Vai ser aberto um aviso, no âmbito do sistema de incentivos à inovação do Portugal 2020, especificamente dirigido às pequenas e médias e micro empresas da península de Setúbal” prometeu Pedro Siza Vieira, na abertura do 2.° Fórum Industrial da AISET- Associação das Indústria da Península de Setúbal, que decorreu a 1 7 e 1 8 de Setembro, sobre a temática “Modernização e Inovação Industrial” no Fórum Municipal Luísa Todi.”

Vamos, nesse incentivo dedicado especificamente a estas empresas, fazer uma majoração de 10% dos apoios, de tal maneira que poderemos ter um nível e uma intensidade de apoio superior àquele que existe normalmente nesta região” adiantou o ministro, defendendo a importância de se continuar a ajudar as empresas de uma região com grande capacidade exportadora.

“É importante continuarmos a apoiar a modernização das empresas desta região. Há aqui um conjunto de grandes empresas, mas também existem várias pequenas empresas que trabalham, ou nas cadeias de valor que as grandes empresas estimulam, ou para outros mercados. E, nesse sentido, temos de continuar a fazer o apoio à modernização produtiva nesta região”justificou, recusando revelar o montante global deste novo apoio às empresas da região.

Confrontado com a reivindicação de autarcas e empresários, que reclamam a alteração na atribuição de fundos estruturais da União Europeia à península de Setúbal visto que actualmente não beneficia desses apoios por estar inserida na Área Metropolitana de Lisboa, uma região rica, Pedro Siza Viera lembrou que o problema poderia ter sido resolvido pelo anterior governo, mas garantiu a disponibilidade do actual executivo para maximizar os apoios possíveis no actual quadro legal.

“Em 201 3 poderia ter sido possível apresentar uma proposta à União Europeia, no sentido da delimitação das unidades estatísticas, que o Governo de então não quis fazer. Neste momento, aquilo que podemos fazer é, trabalhando dentro das regras disponíveis, procurar maximizar os apoios que dirigimos às empresas desta região no sentido de continuarem a participar no esforço que estão a fazer e que tornam Setúbal notável no contexto nacional, pela sua capacidade exportadora pela sua intensidade industrial” esclareceu.

Já o presidente da AISET, Antoine Velge, salientou que a associação “quer transformar a península de Setúbal numa zona industrial de referência, apelativa ao investimento estrangeiro e competitiva com outras regiões da Europa e do mundo”.

Por sua vez, Rui Garcia, presidente da Associação de Municípios de Setúbal (AMRS), defendeu que “a península de Setúbal tem de ser assumida como território estratégico para o desenvolvimento do país” lembrando que “estão presentes nesta região algumas das maiores empresas exportadoras do país, com grande capacidade para desenvolver o sector logístico, potenciando o crescimento dos portos de Lisboa e de Setúbal, em articulação com infraestruturas aeroportuárias existentes e a criar e as infraestruturas ferroviárias que requerem modernização e expansão”.

O presidente da AMRS recordou a existência na região de um denso tecido económico de pequenas e médias empresas, fundamental para o emprego e produção e com grande potencial de crescimento, inovação e internacionalização”.

Rui Garcia criticou “a política errática em relação a investimentos estruturantes essenciais para a região” levando “ao aprofundamento das assimetrias e limitações graves ao crescimento económico da nossa região” dando como exemplo o novo aeroporto previsto para o Montijo em vez do Campo de Tiro de Alcochete.

O autarca defendeu também a alteração à política de atribuição de fundos comunitários à região de Setúbal no próximo quadro comunitário Portugal 20-30. “É manifesto que as estatísticas da região de Lisboa que colocam-na acima dos 90% do rendimento da média europeia, estão distorcidas” e com a extinção da NUT (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) 111 em 2013, “uma medida que inviabilizou estatisticamente esta região, as suas diferenças e especificidades, isso foi um passo na direcção errada e é preciso corrigir” para “promover a coesão e combater as assimetrias”.

A reforma do Código do Trabalho, capital humano e os desafios à inovação na península de Setúbal e adaptação à Indústria 4.0 foram alguns dos temas propostos debatidos no 2.° Fórum Empresarial da AISET, que decorreu durante dois dias, reunindo várias dezenas de agentes económicos da península de Setúbal.